Método SOAP: Como Preencher o Prontuário em Psicologia, Nutrição e Fisioterapia
Aprenda a preencher o prontuário pelo método SOAP com exemplos práticos para psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas

Se você atende pacientes de forma autônoma, já sabe que o registro clínico não é só uma obrigação legal. É o que garante continuidade no cuidado, segurança jurídica e clareza sobre o que foi feito em cada sessão. O problema é que muitos profissionais ainda registram tudo de forma narrativa, sem estrutura, e acabam perdendo informações importantes entre uma consulta e outra.
O método SOAP resolve isso. É uma forma simples e objetiva de organizar o prontuário em quatro campos — Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano — que funciona para qualquer especialidade da saúde. Neste guia, você vai entender o que é o SOAP, como preencher cada campo na prática e ver exemplos reais para psicologia, nutrição, fisioterapia e medicina.
O que é o método SOAP
O método SOAP é um modelo de registro clínico que organiza as informações do atendimento em quatro campos padronizados: Subjetivo (S), Objetivo (O), Avaliação (A) e Plano (P). Ele foi criado na década de 1960 pelo médico norte-americano Lawrence Weed, como parte do Prontuário Médico Orientado por Problemas (Problem-Oriented Medical Record — POMR).
Na época, os prontuários eram preenchidos de forma livre, sem qualquer padronização. Cada profissional anotava do seu jeito, e encontrar uma informação relevante no meio de páginas de texto corrido era quase impossível. Weed propôs que o registro clínico deveria seguir uma lógica: primeiro, ouvir o paciente; depois, examinar; em seguida, interpretar; e por fim, decidir o que fazer.
Essa lógica virou o SOAP. E mais de sessenta anos depois, continua sendo o método mais adotado no mundo para evolução clínica — usado por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e farmacêuticos.
O motivo é simples: o SOAP funciona porque espelha o raciocínio clínico. Você já pensa assim durante o atendimento — o SOAP apenas estrutura isso no papel (ou na tela).
Os 4 componentes do SOAP
Cada letra do SOAP corresponde a uma etapa do raciocínio clínico. Veja o que registrar em cada campo.
S — Subjetivo
O campo Subjetivo registra tudo o que vem do paciente: queixas, sintomas relatados, percepções, história da doença atual, medicamentos em uso e mudanças desde a última consulta. Aqui, a voz é do paciente.
O que anotar: queixa principal, sintomas (duração, intensidade, frequência), histórico relevante, mudanças percebidas desde o último atendimento.
Dica: Use aspas para registrar falas exatas do paciente. Isso diferencia a percepção dele da sua interpretação.
O — Objetivo
O campo Objetivo reúne os dados que você observa, mede ou verifica diretamente. São informações concretas e reproduzíveis — outro profissional chegaria aos mesmos achados.
O que anotar: sinais vitais, dados antropométricos, achados do exame físico ou funcional, resultados de exames, observações comportamentais (postura, tom de voz), resultados de escalas padronizadas.
Dica: Registre números. "Flexão de joelho limitada" é vago. "Flexão de joelho 90° (esperado: 135°)" é objetivo.
A — Avaliação
O campo Avaliação é onde entra o seu raciocínio clínico. A partir do que o paciente relatou (S) e do que você observou (O), qual é a sua interpretação? Diagnóstico, hipótese diagnóstica, evolução em relação à sessão anterior, prognóstico. É aqui que a sua formação e experiência aparecem.
P — Plano
O campo Plano registra as ações decididas a partir da avaliação: conduta terapêutica, exames solicitados, encaminhamentos, metas e data de retorno.
Dica: Seja específico. "Orientações nutricionais" não ajuda na próxima consulta. "Aumentar ingestão hídrica para 2L/dia, substituir pão branco por integral, retorno em 15 dias com diário alimentar" é um plano.
SOAP na Psicologia — exemplo prático
O SOAP é particularmente útil para psicólogos porque traz estrutura a um registro que costuma ser feito de forma narrativa. A Resolução CFP n.º 01/2019 exige que o psicólogo mantenha registro documental dos serviços prestados, incluindo avaliação da demanda, objetivos do tratamento e evolução do caso. O SOAP organiza tudo isso em um formato consistente.
Na psicologia, o campo Subjetivo ganha protagonismo — é onde o relato do paciente sobre seus sentimentos, pensamentos e experiências fica registrado. O Objetivo se adapta: em vez de exame físico, entram observações comportamentais, resultados de escalas e instrumentos psicológicos. A Avaliação reflete a compreensão clínica do caso. E o Plano define as próximas intervenções.
Exemplo: sessão de psicoterapia (TCC)
Paciente: Carla, 31 anos, analista de sistemas. 6.ª sessão de Terapia Cognitivo-Comportamental. Queixa inicial: ansiedade generalizada com impacto no sono e no desempenho profissional.
| Campo | Registro |
|---|---|
| S (Subjetivo) | Paciente relata melhora parcial nos episódios de ansiedade desde a última sessão. Conta que conseguiu aplicar a técnica de respiração diafragmática em uma reunião de trabalho que antes geraria crise. Ainda apresenta dificuldade para dormir em noites anteriores a apresentações. Refere: "Sei que é irracional, mas minha cabeça não desliga." Nega uso de medicação por conta própria. Mantém acompanhamento psiquiátrico quinzenal. |
| O (Objetivo) | Paciente apresenta-se pontual, com aparência cuidada. Humor eutímico durante maior parte da sessão, com aumento de tensão ao abordar situações de trabalho. Contato visual adequado. Discurso organizado e coerente. Escala de Ansiedade de Beck (BAI) aplicada: 18 pontos (ansiedade leve a moderada, redução de 7 pontos em relação à 3.ª sessão). Registro de pensamentos automáticos realizado entre sessões — 4 de 7 dias preenchidos. |
| A (Avaliação) | Quadro de ansiedade generalizada com evolução favorável. Paciente demonstra boa adesão às técnicas de reestruturação cognitiva, com progresso na identificação de pensamentos automáticos catastróficos. A dificuldade com o sono persiste e parece associada a antecipação de situações de exposição social no trabalho. Funcionamento global em melhora. |
| P (Plano) | 1) Trabalhar dessensibilização progressiva para situações de exposição profissional (apresentações). 2) Introduzir técnica de higiene do sono com rotina de descompressão pré-sono. 3) Manter registro de pensamentos automáticos com foco nos pensamentos noturnos. 4) Retorno em 7 dias. 5) Reavaliação com BAI na 9.ª sessão. |
O prontuário psicológico tem caráter sigiloso e deve ser guardado por, no mínimo, cinco anos após o último registro, conforme a Resolução CFP n.º 01/2019.
SOAP na Nutrição — exemplo prático
Para nutricionistas, o SOAP é uma ferramenta de gestão do cuidado nutricional que vai além da anamnese. A Resolução CFN n.º 594/2017 determina que o nutricionista deve registrar no prontuário a avaliação nutricional, o diagnóstico, a prescrição e o acompanhamento. O SOAP estrutura exatamente essa sequência.
Na nutrição, o campo Subjetivo capta os hábitos alimentares, queixas gastrointestinais e objetivos do paciente. O Objetivo traz dados antropométricos, bioquímicos e de ingestão alimentar. A Avaliação apresenta o diagnóstico nutricional. E o Plano detalha as orientações e o plano alimentar.
Exemplo: consulta de retorno nutricional
Paciente: Roberto, 42 anos, bancário. 2.ª consulta. Objetivo: perda de peso e controle do colesterol. Sedentário, iniciou caminhada há 3 semanas.
| Campo | Registro |
|---|---|
| S (Subjetivo) | Paciente relata que seguiu o plano alimentar da primeira consulta "uns 70% do tempo". Dificuldade principal: lanches no trabalho à tarde, quando colegas pedem delivery. Refere melhora na disposição desde que começou a caminhar 30 min, 4x/semana. Nega sintomas gastrointestinais. Relata que reduziu refrigerante de 2 latas/dia para 1 lata nos fins de semana. Traz diário alimentar de 5 dos 14 dias. |
| O (Objetivo) | Peso: 93,2 kg (anterior: 95,0 kg). Altura: 1,76 m. IMC: 30,1 kg/m² (anterior: 30,7 — obesidade grau I). Circunferência abdominal: 102 cm (anterior: 104 cm). PA: 130/85 mmHg. Exames laboratoriais trazidos: colesterol total 228 mg/dL (anterior: 241), LDL 152 mg/dL (anterior: 161), HDL 42 mg/dL (anterior: 40), triglicerídeos 189 mg/dL (anterior: 210), glicemia de jejum 101 mg/dL. Recordatório alimentar 24h: café da manhã adequado, almoço com porções adequadas, lanche da tarde com ultraprocessados 3-4x/semana, jantar com porções excessivas de carboidrato. |
| A (Avaliação) | Sobrepeso/obesidade grau I com dislipidemia mista em melhora. Perda ponderal de 1,8 kg em 14 dias (dentro da meta de 0,5-1,0 kg/semana). Perfil lipídico com redução discreta mas consistente com mudanças recentes. Ponto crítico identificado: lanche da tarde e porções do jantar. Boa adesão ao plano no café da manhã e almoço. Atividade física recente contribuindo para melhora de HDL. |
| P (Plano) | 1) Ajustar plano alimentar: incluir opções práticas de lanche da tarde (mix de castanhas 30g, fruta + iogurte natural, sanduíche integral com peito de peru). 2) Reduzir porção de arroz no jantar de 2 para 1 colher de servir, compensando com salada. 3) Manter meta hídrica de 2L/dia. 4) Orientar sobre leitura de rótulos para escolhas no delivery do trabalho. 5) Solicitar repetição do perfil lipídico em 60 dias. 6) Retorno em 21 dias com diário alimentar completo. |
SOAP na Fisioterapia — exemplo prático
Na fisioterapia, o SOAP organiza a evolução do paciente a cada sessão de reabilitação. A Resolução COFFITO n.º 414/2012 torna obrigatório o registro em prontuário das atividades assistenciais prestadas pelo fisioterapeuta, incluindo diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos. O método SOAP atende a essas exigências com eficiência.
O campo Subjetivo capta como o paciente se sente em relação à dor, funcionalidade e progresso. O Objetivo traz medições de amplitude de movimento, força muscular, testes funcionais e observações clínicas. A Avaliação apresenta o diagnóstico cinético-funcional. E o Plano detalha os exercícios e condutas da próxima sessão.
Exemplo: sessão de reabilitação pós-operatória
Paciente: André, 28 anos, professor de educação física. 8.ª sessão de fisioterapia. Pós-operatório de reconstrução de LCA (ligamento cruzado anterior) do joelho direito — 5 semanas.
| Campo | Registro |
|---|---|
| S (Subjetivo) | Paciente relata dor leve no joelho direito após os exercícios da sessão anterior, que cedeu com gelo em casa. Informa que conseguiu subir escadas sem apoio pela primeira vez desde a cirurgia. Refere incômodo ao ficar sentado por longos períodos no trabalho (aulas teóricas). Nega edema ou sensação de instabilidade. Refere ansiedade para retornar à atividade física. Dor em repouso: EVA 1/10. Dor ao esforço: EVA 3/10. |
| O (Objetivo) | Joelho direito: edema discreto peri-patelar (redução em relação à sessão anterior). Cicatriz cirúrgica sem sinais flogísticos. ADM ativa: flexão 105° (anterior: 95°), extensão 0° (completa). Força muscular quadríceps: grau 4/5 (anterior: 3+/5). Força muscular isquiotibiais: grau 4/5. Teste de gaveta anterior: negativo. Marcha sem auxiliar de locomoção, com leve déficit de extensão terminal no apoio. Agachamento parcial (45°) sem dor. Equilíbrio unipodal: 12 segundos (anterior: 7 segundos). |
| A (Avaliação) | Pós-operatório de reconstrução de LCA em evolução satisfatória, dentro dos marcos esperados para 5 semanas. Ganho de 10° de flexão e melhora de força de quadríceps. Paciente apto para progressão de fase — iniciar exercícios em cadeia cinética fechada com maior carga e treino proprioceptivo em superfície instável. Déficit de extensão terminal na marcha em resolução. |
| P (Plano) | 1) Progredir para leg press 45° com carga leve (10-15 kg). 2) Iniciar propriocepção em disco de equilíbrio. 3) Manter crioterapia pós-exercício por 15 min. 4) Adicionar bicicleta ergométrica 10 min sem carga como aquecimento. 5) Exercícios domiciliares: isometria de quadríceps 3x15, elevação de perna reta 3x12, alongamento de isquiotibiais. 6) Próxima sessão em 2 dias. 7) Reavaliação funcional completa na 12.ª sessão. |
SOAP na Medicina — exemplo breve
Na medicina, o SOAP é o formato clássico de evolução. O exemplo abaixo mostra uma consulta de acompanhamento em atenção primária.
Exemplo: consulta de acompanhamento (atenção primária)
Paciente: Dona Lúcia, 58 anos. Acompanhamento de hipertensão e diabetes tipo 2.
| Campo | Registro |
|---|---|
| S (Subjetivo) | Relata adesão medicamentosa adequada. Cefaleia matinal ocasional, autolimitada. Nega tontura ou dor torácica. Dificuldade em reduzir sal. Caminha 20 min 3x/semana. Formigamento bilateral nos pés ao final do dia. |
| O (Objetivo) | PA: 142/88 mmHg (meta: <130/80). Peso: 74 kg (anterior: 75,2 kg). IMC: 29,4. HbA1c: 7,4% (anterior: 7,8%). Glicemia capilar pós-prandial: 148 mg/dL. Exame dos pés: pulsos pediais presentes, sensibilidade preservada, sem lesões. |
| A (Avaliação) | HAS em controle parcial. DM2 com melhora glicêmica, ainda acima do alvo. Parestesia em MMII a investigar (rastreio de neuropatia). |
| P (Plano) | 1) Aumentar losartana para 100 mg/dia. 2) Manter metformina 850 mg 2x/dia. 3) Solicitar eletroneuromiografia de MMII. 4) Reforçar redução de sódio. 5) Retorno em 30 dias. |
Erros comuns ao preencher o SOAP
Conhecer a estrutura do SOAP é metade do caminho. Evitar os erros mais frequentes é o que faz a diferença na qualidade do registro.
1. Misturar subjetivo com objetivo
O erro mais comum. Anotar "paciente parece ansioso" no campo Objetivo, por exemplo. "Parece ansioso" é a sua interpretação — vai no Avaliação. No Objetivo, ficaria: "Paciente apresenta inquietação psicomotora, mãos trêmulas, discurso acelerado."
A regra é simples: se o paciente disse, é Subjetivo. Se você mediu, observou ou verificou, é Objetivo. Se você interpretou, é Avaliação.
2. Plano genérico demais
"Orientações gerais" ou "manter conduta" não ajudam em nada na próxima consulta. O Plano precisa ser específico o suficiente para que outro profissional (ou você mesmo, daqui a 3 meses) saiba exatamente o que foi combinado.
3. Deixar o campo Avaliação vazio ou repetir o Subjetivo
A Avaliação é o campo mais importante do SOAP — é onde está o seu raciocínio clínico. Pular esse campo ou simplesmente repetir o que o paciente disse desperdiça o principal valor do método.
4. Não registrar evolução entre sessões
O SOAP ganha poder quando você compara os registros ao longo do tempo. Anotar "dor no joelho" em todas as sessões sem indicar se melhorou, piorou ou estabilizou torna o acompanhamento inútil. Use comparativos: "Flexão de joelho 105° (anterior: 95° — ganho de 10°)."
5. Registrar apenas quando há problema
Sessão sem intercorrência também merece registro. Documentar que o paciente está estável, aderente ao tratamento e sem queixas novas é tão importante quanto registrar uma piora. Em caso de questionamento jurídico ou ético, a ausência de registro pode ser interpretada como ausência de atendimento.
6. Escrever demais (ou de menos)
Uma evolução de três linhas para uma sessão de 50 minutos é insuficiente. Mas cinco parágrafos no campo Subjetivo também não ajuda. O equilíbrio: registrar o que é clinicamente relevante e suficiente para continuidade do cuidado.
SOAP no papel vs. prontuário digital
O método SOAP funciona em qualquer suporte — caderno, ficha impressa ou sistema digital. Mas existem diferenças práticas que impactam a rotina do profissional autônomo.
| Aspecto | Papel/ficha | Prontuário digital |
|---|---|---|
| Estrutura | Depende da disciplina do profissional | Campos S, O, A, P já separados |
| Legibilidade | Caligrafia pode comprometer | Sempre legível |
| Busca | Folhear fichas uma a uma | Pesquisa por nome, data, diagnóstico |
| Segurança | Risco de perda, dano, extravio | Backup automático, criptografia |
| Compartilhamento | Cópia física ou digitalização | Acesso controlado, exportação |
| Conformidade legal | Depende do armazenamento | LGPD, audit logs, retenção automática |
| Evolução no tempo | Difícil comparar entre sessões | Gráficos e histórico acessíveis |
Para quem atende sozinho, o prontuário digital elimina dois problemas crônicos: a insegurança do armazenamento físico e o tempo gasto procurando informações em fichas antigas. Plataformas como o Human Doctor, por exemplo, já trazem o prontuário estruturado no formato SOAP com campos separados, personalizáveis por especialidade e com auto-save. Mas independente da ferramenta, o que importa é que o registro esteja completo, organizado e acessível.
Os conselhos permitem prontuário manuscrito ou eletrônico — mas ele precisa ser legível, sigiloso e guardado pelo prazo mínimo (5 anos para CFP, CFN e COFFITO; 20 anos para CFM). Na prática, o digital facilita o cumprimento dessas exigências.
O que cada conselho exige sobre documentação clínica
Se você se pergunta se o SOAP é obrigatório, a resposta curta é: o SOAP como formato específico não é obrigatório por nenhum conselho, mas a documentação estruturada sim. O SOAP é o método mais adotado para atender essas exigências.
| Conselho | Resolução | O que exige |
|---|---|---|
| CFP (Psicologia) | Resolução CFP n.º 01/2019 | Registro documental obrigatório: identificação, avaliação da demanda, objetivos, evolução, procedimentos técnico-científicos adotados. Guarda mínima de 5 anos. Sigilo obrigatório. |
| CFN (Nutrição) | Resolução CFN n.º 594/2017 | Registro em prontuário obrigatório para todos os nutricionistas em serviços de saúde: identificação, triagem nutricional, diagnóstico nutricional, prescrição e acompanhamento. |
| COFFITO (Fisioterapia) | Resolução COFFITO n.º 414/2012 | Registro obrigatório em prontuário: identificação, história clínica, exame clínico/físico, exames complementares, diagnóstico e prognóstico fisioterapêuticos. Guarda mínima de 5 anos. |
| CFM (Medicina) | Resolução CFM n.º 1.638/2002 | Prontuário obrigatório com identificação do paciente, anamnese, exame físico, hipóteses diagnósticas, diagnóstico definitivo, conduta terapêutica. Guarda mínima de 20 anos. |
Independente da especialidade, o padrão é o mesmo: documentar o que foi feito, por que foi feito e o que será feito a seguir. O SOAP encaixa naturalmente nessa lógica.
Perguntas Frequentes
O que significa a sigla SOAP no prontuário?
SOAP é a sigla para Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano. Cada letra representa uma etapa do registro clínico: o que o paciente relata (S), o que o profissional observa e mede (O), a interpretação clínica dos dados (A) e as condutas decididas (P). O método foi criado pelo médico Lawrence Weed na década de 1960 para padronizar a documentação clínica.
Psicólogo pode usar SOAP no prontuário?
Sim. O método SOAP pode ser utilizado por psicólogos como forma de estruturar a evolução das sessões. A Resolução CFP n.º 01/2019 exige registro documental dos serviços prestados, e o SOAP atende a essa exigência organizando o relato do paciente, as observações do profissional, a avaliação clínica e o planejamento terapêutico em campos separados.
Qual a diferença entre SOAP e registro narrativo?
O registro narrativo é um texto corrido, sem divisão de campos, onde o profissional relata o atendimento da forma que preferir. O SOAP divide esse mesmo conteúdo em quatro campos padronizados (S, O, A, P), facilitando a leitura, a comparação entre consultas e a comunicação entre profissionais. O SOAP também obriga o profissional a separar o que é relato do paciente, o que é dado objetivo, o que é interpretação e o que é conduta — evitando confusão entre essas informações.
O SOAP é obrigatório?
O formato SOAP em si não é obrigatório por nenhum conselho profissional. O que é obrigatório é a documentação estruturada e completa do atendimento, conforme as resoluções de cada conselho (CFP, CFN, COFFITO, CFM). O SOAP é o método mais adotado para cumprir essas exigências porque organiza as informações de forma lógica e padronizada.
Como adaptar o SOAP para teleconsulta?
A estrutura é a mesma. A diferença está no campo Objetivo, que fica mais limitado em teleconsulta (sem exame físico presencial). Nesse campo, registre o que foi possível observar pela tela (expressão facial, postura, sinais visíveis) e os resultados de exames ou instrumentos enviados pelo paciente. Sempre registre que o atendimento foi realizado por teleconsulta.
Quanto tempo preciso guardar o prontuário?
O prazo mínimo varia por conselho: 5 anos para psicólogos (CFP), nutricionistas (CFN) e fisioterapeutas (COFFITO), e 20 anos para médicos (CFM). Esses prazos contam a partir do último registro no prontuário. Em prontuário digital, a retenção pode ser automática e sem limite de espaço físico.
O que escrever no SOAP quando a sessão foi tranquila?
Registre exatamente isso — de forma estruturada. No Subjetivo: paciente não refere queixas novas, relata adesão ao plano. No Objetivo: achados dentro da normalidade ou estáveis. Na Avaliação: quadro estável, evolução favorável. No Plano: manter conduta atual, retorno em X dias. A ausência de registro pode ser interpretada como ausência de atendimento, então documentar a estabilidade do quadro é importante.
O SOAP é uma ferramenta, não uma burocracia. Quando bem preenchido, o prontuário deixa de ser peso e passa a ser parte do próprio cuidado — um registro que protege você, orienta o próximo atendimento e dá continuidade ao tratamento do paciente.
Fontes consultadas: Resolução CFP n.º 01/2019, Resolução CFN n.º 594/2017, Resolução COFFITO n.º 414/2012, Resolução CFM n.º 1.638/2002, Prontuário psicológico orientado para o problema — SciELO, Método SOAP — Grupo Medcof, Lawrence Weed — Wikipedia, Método SOAP para nutricionistas — Academia Energié, Modelo prontuário fisioterapêutico — CREFITO-12.
Guilherme Santos
CEO & Fundador
Fundador do Human Doctor e Human Office NH. Ajuda profissionais de saúde a crescerem com tecnologia e gestão.
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